Um pouco sobre Timothy Leary.
Olá a todos, no post de hoje vou colocar uma matéria bem resumida mas bem interessante sobre o Timothy Leary, que creio eu muitos ja conhecem, para os que não conhecem ai vai a matéria, no fim link para o artigo em .pdf.
Obs: Ainda hoje posto o CD “Turn On, Tune In, Drop Out” do Timothy.
Timothy Leary
O homem em cima da ponte
Timothy Leary era um homem que não queria ser mais um robot. Que
não queria ser mais um na fi la de trânsito em cima de uma qualquer
ponte. Não da ponte 25 de Abril, não da ponte Vasco da Gama, mas
algures nos Estados Unidos da América, onde nasceu e viveu a maior
parte da vida, haviam espalhadas muitas e diversas pontes onde ele não
queria estar. Dizer isto é dizer tudo a respeito de Timothy Leary e talvez
dizer nada. Aliás, bem à semelhança do slogan que celebrizou “Turn On,
Tune In, Drop Out”. A frase seria o título de um álbum, rotulado de Rock
psicadélico, editado pelo próprio. No entanto, não foi enquanto músico
que Leary hoje é relembrado.
Passou pelo exército americano e percorreu um largo caminho pelas
universidades mais respeitáveis dos Estados Unidos da América, inclusive
Harvard, de onde, à semelhança das outras, acabou por ser corrido. Porque
não foi pelo percurso académica que Leary se tornou célebre. Foi por
não ter querido ser mais um. Em cima da ponte, em cima da elevação de
nível que, nos anos 50 e 60, elevava o professor do aluno, submisso ao
peso de um mundo que por vezes era insuportavelmente real.
A estratégia de Timothy Leary para enfrentar o mundo foi fugir-lhe
para o único sítio onde a sua luz não podia perverter a essência do ser,
do seu ser que não queria ser mais um cima da ponte. Mas como? Anthony
Russo, um colega de Leary, deu-lhe uma ajudinha relatando-lhe
a sua experiência no México, onde ingeriu cogumelos com propriedades
alucinogéneas utilizados em cerimónias religiosas pelos indígenas de Oaxaca.
Pouco tempo depois, Russo voltaria ao altar da ausência de consciência
acompanhado por um curioso e expectante Leary. Uma experiência
que haveria de o marcar para sempre.
Think for yourself and question authority
Um arruaceiro ou uma mente brilhante? Um intelectual ou mais um
junkie? A resposta terá de partir de cada um. A História, sábia mestre,
relembra o homem falecido em 1996 como uma das fi guras que mais
contribuíram para promover o LSD, esse escape, esse labirinto mágico
para outro mundo.
Durante os anos 60, enquanto ainda leccionava em Harvard, Timothy
Leary desenvolveu várias experiências com drogas alucinogéneas,
primeiro em reclusos, posteriormente nele próprio e em amigos. Que
segredos esconderia a mente para lá da superfície? E até onde poderia
ele ir com a ajuda de novas drogas? Na altura, o LSD não era ilegal. As
propriedades da droga descoberta acidentalmente pelo químico suíço Albert
Hoffman em 1943 eram em grande medida ainda desconhecidas. Se
Leary não teve o prazer de descobrir o LSD foi para a cova com a alegria
de a ter apresentado ao mundo.
Depois de em 1963 ter sido corrido de Harvard, Timothy Leary depressa
formou novas instituições onde tem a liberdade de desenvolver experiências
com drogas alucinogéneas. Para dar a conhecer as suas revelações
formou a Liga da Descoberta Espiritual que defendia o uso do LSD.
Sublinhe-se, eram os sixties com tudo o que os sixties podiam ofere-
Timothy
Leary
cer, ou seja, muitos americanos a tentar fugir do espartilho em que tinham vivido
desde sempre. Havia também soutiens a serem queimados, muitos hippies
de mãos dadas e gente nua a correr em concertos de Rock, a música do diabo.
E Leary estava por todo o lado a falar sobre as propriedades benéfi cas do LSD
a adolescentes cujos pais e mães pertenciam a mundo que já não existia.
O errozito de Albert Hoffman
Quando em 1943 um químico suíço chamado Albert Hoffman descobriu o
LSD estava na verdade a trabalhar na síntese dos derivados do ácido lisérgico,
uma substância que impede o sangramento excessivo após o parto.
Quando ingeriu a nova substância por acidente, Hoffman teve de abandonar
momentaneamente o seu trabalho devido aos sintomas alucinogéneos que
estava a sentir. Assim, o químico teve o mérito de, em simultâneo, descobrir
o LSD e ainda ter a primeira bad trip da história. Leary teria uns bons conselhos
para lhe dar. Segundo o tio do LSD, não, Leary não era irmão de Hoffman,
mas se este era o pai…bem. Hoffman tendo sido o inventor referia-se
ao LSD como “o seu fi lho problemático” e Leary idolatrou esse rebelde e fez
dele o centro das atenções (daí que merece no mínimo o título de tio).
Timothy Leary argumentava em prol do “set and setting” um método
para se salvaguardar das bad trips, ou pelo menos diminuir estragos, em que
o LSD era tomado em ambientes controlados. Por isso, um bom conselho que
Leary poderia ter dado a Hoffman era desde logo para não se drogar no local
de trabalho.
Mas o que Timothy Leary defendia não era apenas a toma de LSD, era
algo muito maior do que isso, tratava-se de toda uma ideologia de vida, uma
religião que foi sustentando com a edição de livros. Para os mais pequeninos,
porque afi nal de contas, é de pequenino que se torce o pepino, havia o livro
para colorir sobre a história do movimento psicadélico. Para os mais graúdos,
havia o catecismo da nova religião, a Igreja Neo-Americana, porque havia que
reinventar tudo. Depois de Deus ter estado no centro do Universo, o Homem
tratou de vestir um fato de lycra azul com direito a cueca e capa vermelha e
ocupou o seu lugar. Nos sixties, Timothy Leary quis lá pôr um homem diferente.
Um homem capaz de ver para lá da fi la de trânsito em cima da ponte.
O homem mais perigoso da América
Em 1966, o então presidente americano, Richard Nixon, referiu-se a Leary
como o homem mais perigoso dos EUA. Na altura, mais do que um Bin Laden,
ou um ataque directo contra o coração económico mundial, as políticas
de Timothy Leary abalaram os costumes e a sociedade. Algo propício a causar
muitos mais danos. Daí que a certa altura o psicólogo que queria ir mais
além se tenha tornado um alvo a abater.
Em 1966, a fi lha de Leary foi presa ao atravessar a fronteira entre os
Estados Unidos e o México por posse de marijuana. No entanto, seria Leary,
o proprietário do veículo, que arcaria com as culpas sendo condenado a dez
anos de prisão. A pena não seria cumprida integralmente porque Leary conseguiu
fugir em 1970 e tomou abrigo na Suíça.
Texto: Ana Brasil
Link Original: UnderWorld